Alvaro dá sinais de descontrole com a escolha de Beto

Conhecido como um hábil articulador político frio e cerebral, o senador Alvaro Dias começou a dar sinais de descontrole emocional, quando percebeu que seu projeto de ser candidato ao governo do estado não vai emplacar porque a grande maioria do PSDB do Paraná prefere o prefeito de Curitiba, Beto Richa.
Nos dias que antecederam a reunião desta segunda-feira, 22, que tornou Beto o pré-candidato do partido, Alvaro, na opinião dos tucanos, perdeu a compostura e deu nítidos sinais de descontrole emocional. Na sexta entrou com um pedido de liminar para impedir a reunião. Rejeitado tentou recurso no sábado, também rejeitado.
No domingo divulgou um manifesto confuso intitulado “Por que não irei à reunião do PSDB em Curitiba”. O documento é capenga em termos de lógica, de direito e de senso comum. É uma nova evidência de descontrole.
A crítica de Alvaro dizendo que Beto, ao deixar a prefeitura de Curitiba antes de cumprir o seu mandato, trai o seu eleitor é oportunista e maldosa.
Mira em Beto, mas acerta em cheio em José Serra (a quem Alvaro jura apoiar), que se elegeu prefeito de São Paulo e chegou a assinar documento prometendo cumprir o mandato até o fim. Foi convocado pela população a disputar o governo. A população o entendeu, tanto que o elegeu governador. Agora deve deixar o governo para disputar a Presidência. Em lugar de perder o controle, de evidenciar sinais de desequilíbrio, o senador Alvaro Dias devia cair em si. Talvez o botox, os implantes, as intervenções cosméticas enganem os mais incautos, mas o fato é que seu tempo passou.
Júlio César Mendez, advogado.