Sobre a chacina de Flórida

O crime teria ocorrido na madrugada da última quarta-feira (11), data do desaparecimento dos quatro amigos. Segundo informações repassadas à Polícia Civil, os jovens teriam sido levados da residência do servente de pedreiro Juninho por desconhecidos em um Gol branco. Familiares das vítimas fizeram o reconhecimento e acompanharam a remoção dos corpos para o Instituto Médico-Legal (IML). Aos prantos, uma tia de Juninho lamentou o fim trágico do sobrinho. "Ele não merecia ser assassinado assim tão convardemente", desabafou a mulher, que pediu para não ser identificada por medo de represálias. Investigação - O delegado-chefe da 9ª SDP, Osmir Ferreira Neves Júnior, acompanhou o trabalho de remoção dos corpos e confirmou que uma das linhas de investigação aponta para o suposto envolvimento de um jovem policial militar, suposto integrante de um grupo de elite do 4º BPM, no crime. O PM suspeito estaria na corporação há cerca de um ano e seria inimigo declarado de Juninho por desaprovar o relacionamento de sua irmã, uma adolescente de 14 anos, com o rapaz. 

Ele já teria agredido o jovem publicamente em pelo menos duas ocasiões no ano passado. Segundo a tia do servente de pedreiro, depois de ser violentamente espancando e escapar ileso de uma sequência de disparos de arma em uma festa popular, em Flórida, o sobrinho retornou para Londrina. "Ele chegou na casa dos pais bastante machucado e acusou o PM", recorda. De volta a Flórida, Juninho voltou a ser espacado pelo mesmo PM em via pública. A exemplo da anterior, a agressão foi presenciada por populares. Ainda segundo a tia do rapaz, o sobrinho não registrou boletim de ocorrência por medo. O pai do servente de pedreiro reafirmou o medo do filho que, segundo ele, teria gravado um vídeo no qual responsabiliza o policial caso alguma coisa grave lhe acontecesse. O delegado-chefe da 9ª SDP disse ter sido informado da existência do vídeo e espera recebê-lo nesta sexta-feira (20) para ajudar nas investigações. Osmir confirmou ainda que uma suposta testemunha do sequestro dos quatro amigos será ouvida amanhã. "Seja qual for o responsável, ou responsáveis, por esse crime bárbaro, ficando comprovada a autoria, será punido pela justiça. Crimes como esses não serão tolerados pela sociedade e muito menos pelos órgãos de segurança pública do Paraná", afirmou. No início da noite de hoje, o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Maringá, tenente-coronel Antonio Roberto dos Anjos Padilha, disse ter sido informado pela Polícia Civil sobre as suspeitas que recaem contra o policial militar na execução dos jovens. "O delegado Osmir nos informou sobre o suposto envolvimento de um PM, mas até o momento são apenas relatos, não há nada conclusivo. Essa é apenas uma das linhas de investigação, existem outras. Estamos acompanhando as investigações e oferecemos o apoio necessário para a elucidação no caso, inclusive através da equipe do Serviço Reservado do Batalhão. Um crime como esse não pode ficar impune", disse o comandante. "Caso a investigação confirme essa linha de investigação a corporação tomará as medidas cabíveis". - diz o Jornal

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